Saúde Pública "A falta de investimento dificulta o diagnóstico e o tratamento das enfermidades", avalia Presidente do CREMERN

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Em entrevista a Tribuna do Norte, o Dr. Marcos Lima, Presidente do Conselho Regional de Medicina (Cremern) comentou os investimentos na saúde pública do estado, que de acordo com o levantamento realizado pelo Conselho Federal de Medicina, 93 cidades do RN tiveram redução no gasto anual com saúde. Algumas cidades, como Alto do Rodrigues e Galinhos, registraram queda de investimento per capita em mais de 40%, mesmo assim, continuam acima da média nacional. 

Os investimentos em saúde no Rio Grande do Norte diminuíram em mais de 90 cidades, se comparado 2013 com 2017. Como isso reflete para a população e profissionais que fazem a saúde?

Importante frisar que essa diminuição progressiva no investimento antecede ao período citado no levantamento, tendo como vítimas principais os pacientes que dependem do sistema público de saúde. O reflexo é notado em primeiro lugar pelos profissionais da saúde, em especial pelos médicos, que percebem que a capacidade de resolutividade vem decrescendo ao longo dos anos. A falta de investimento dificulta o diagnóstico e tratamento das enfermidades, compromete o acompanhamento de doenças crônicas, favorece o retorno de doenças que estavam praticamente extintas e produz mortes evitáveis.

Como o senhor avalia a colocação do RN no levantamento?

Temos o município de Guamaré que está entre os 20 municípios com maior investimento em saúde no país e não temos nenhum município na lista dos 20 piores. No entanto houve redução numa parcela considerável do municípios, na contra-mão da necessidade.

Como o investimento pode refletir positivamente na vida da população? Como isso pode ser transformador?

Considera-se que a ampliação dos investimentos junto com uma boa gestão dos recursos trará claros benefícios para a saúde da população. O médico sem estrutura mínima para trabalhar, pouco poderá fazer em benefício da saúde da população. Acreditar que o programa Mais Médicos resolveria os problemas de saúde do país foi um dos maiores equívocos dos gestores da saúde no passado recente.

O decreto de calamidade na saúde mais recente está prestes a ser encerrado, em fevereiro. Na sua avaliação, é necessária uma nova renovação? Os decretos anteriores surtiram o efeito esperado?

Infelizmente a situação continua calamitosa e para isso está o decreto de calamidade, cujo objetivo é trazer recursos e facilitar procedimentos que amenizem a desassistência. Até onde tomamos conhecimento, o último decreto permitiu minimizar alguns aspectos como abastecimento e conclusão de obras estruturantes. No entanto foi insuficiente para uma manutenção adequada dos serviços.

Com informações da Tribuna do Norte 

 

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